Convocatória Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil

 

São Paulo, Brasil. 06 de julho a 10 de agosto de 2018.
Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil
Sesc
24 de Maio e Galpão VB
21bienal@videobrasil.org.br
http://site.videobrasil.org.br/pt/inscricao

Regulamento

 

 

Convocatória 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades imaginadas

 

A Associação Cultural Videobrasil e o Sesc São Paulo convidam artistas do Sul Global, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e dos povos originários de todos os países para participar da seleção de artistas para a 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades imaginadas.

Com o dinamismo que o caracteriza, o Festival chega em 2018 a uma nova fase, com um novo nome: Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil. Sua 21ª edição se desdobra em três plataformas curatoriais: exposição + programa de filmes, programas públicos e publicação.

Pela primeira vez, a convocatória é publicada junto de um partido curatorial, que orientará o trabalho dos curadores na seleção dos artistas e na elaboração dos programas da 21ª Bienal. Comunidades imaginadas, título desta edição, é ponto de partida para investigar como as poéticas do Sul interpretam a onda nacionalista que vemos propagar-se pelo mundo e como artistas de comunidades sem Estado — sobretudo aqueles provenientes de povos originários — elaboram sua produção simbólica.

Além disso, os artistas selecionados pela convocatória serão acompanhados por artistas convidados pela equipe de curadores. Também oriundos do Sul, esses artistas poderão estabelecer pontos de diálogo com a investigação curatorial proposta. Todos os artistas poderão participar de uma ou mais plataformas curatoriais da edição, sem restrições.

As inscrições, abertas a obras em qualquer linguagem, são gratuitas e devem ser realizadas on-line. Cada usuário poderá inscrever até 05 (cinco) obras, que deverão ser enviadas simultaneamente. A inscrição em Autoria Individual não exclui a possibilidade de inscrição em Autoria Coletiva; basta criar usuários distintos.

As informações inseridas poderão ser salvas e editadas até o aceite do Termo de Compromisso e envio do formulário. Uma vez concluída a inscrição, será gerado um número de protocolo que deve ser guardado pelo artista ou representante do grupo. Um e-mail de confirmação com a ficha de inscrição será encaminhado ao usuário cadastrado.

Leia aqui o partido curatorial da 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades imaginadas.

Acesse o edital desta edição. Em caso de dúvidas, escreva para 21bienal@videobrasil.org.br

COMUNIDADES IMAGINADAS

Em dezembro de 2017, a Organização Mundial do Comércio, reunida em Buenos Aires, lançou um comunicado em que criticava a “tendência a rejeitar o estrangeiro, o importado, rejeitar o global”, vista na política comercial dos EUA e de outros países associados à OMC. Em abril de 2018, palestinos prepararam uma grande manifestação contra os setenta anos de Israel e da Nakba, enquanto a Itália, a Inglaterra e outros países da Europa veem ressurgir movimentos que reivindicam a herança fascista do continente. Por todos os lados e a partir de diferentes matizes do espectro político, o nacionalismo retorna como tema-chave para a compreensão das disputas que moldam este nosso tempo, deixando no ar a pergunta sobre a duração e o alcance desse novo ciclo regressivo.

Nesse contexto, a 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades imaginadas toma de empréstimo o título do clássico estudo de Benedict Anderson sobre o surgimento do nacionalismo para investigar como poéticas oriundas do Sul vêm elaborando o fenômeno. Interessa, no entanto, não nos atermos somente às comunidades imaginadas em torno de Estados-nação e à ressurgência do nacionalismo. Aqui, ultrapassando o partido de Anderson, é pertinente considerar também outras comunidades, criadas por imaginações distintas daquelas que fundaram os Estados nacionais.

Ao estabelecer um chão comum a todas as imaginações comunitárias, o partido curatorial da 21ª Bienal relativiza, por um instante, as antinomias que até hoje orientaram e fundamentaram as edições passadas do Festival, em nome de um exercício imaginativo de maior alcance. Assim como Pier Paolo Pasolini concebeu um Terceiro Mundo transnacional, que começava nas periferias de Roma e se estendia aos países então incluídos nessa categoria, aqui é possível incluir comunidades que existem às margens dos Estados-nação ou em suas brechas. Contemplamos, desse modo, comunidades de povos originários, organizadas sem ou contra um Estado; comunidades multiespécie, tal como imaginadas pelo perspectivismo ameríndio; comunidades religiosas ou místicas, concebidas a partir de compreensões transcendentes da existência; comunidades divididas por fronteiras desenhadas pelo colonialismo ou refugiadas de seus territórios originais por qualquer motivo; comunidades fictícias, ou utópicas, ou clandestinas, que gerem práticas políticas minoritárias, ou aquelas constituídas nos universos subterrâneos de vivências sexuais e corpos dissidentes, contra-hegemônicos ou não ocidentais.

Em seu livro, Anderson constata que “a condição nacional é o valor de maior legitimidade universal na vida política dos nossos tempos”. Tendo em vista essa afirmação, cumpre questionar-se sobre como operam as simbolizações nas margens dessa “legitimidade universal” política produzida pelas identidades nacionais. Se o partido do Sul trata de investigar a produção simbólica das margens dos discursos hegemônicos do poder, onde se situam as poéticas oriundas da margem da margem? Que centro de poder lhes serve como modelo? Almejam alcançá-lo, como algumas daquelas oriundas do Sul? Espelham-se em alguma história (da arte?), articulam formas de distinção? Em nome de que esses homens e mulheres continuam a simbolizar, a despeito de tudo? Que línguas e que linguagens a imaginação dessas comunidades sem Estado mobiliza? Sem abandonar a ambição panorâmica do evento nem seu habitual foco geopolítico, esta edição pretende alargar o repertório de questionamentos que orientam nosso trabalho, buscando, com isso, ampliar a diversidade das vozes que ouvimos.

DIRETORA ARTÍSTICA

Solange Farkas (Feira de Santana-BA, 1955) é curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil. Criou o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil em 1983 e foi diretora e curadora-chefe do Museu de Arte Moderna da Bahia entre 2007 e 2010. Participou, como curadora convidada, da 10ª Bienal de Charjah (Emirados Árabes Unidos, 2011), 16ª Bienal de Cerveira (Portugal, 2011), 5ª Videozone – International Video Art Biennial (Israel, 2010), FUSO – Mostra Anual de Videoarte (Portugal, 2011-2014 e 2017), 6º Festival Internacional de Vídeo de Jacarta (Indonésia, 2013) e Dak’Art – Biennial of Contemporary African Art (Senegal, 2016). Farkas integrou também o júri da 10éme Rencontres de Bamako – Bienal Africana de Fotografia (Mali, 2015). Atualmente, é membro do comitê de jurados do EYE Art & Film Prize de Amsterdã, integra o Comitê de Premiação do Prince Claus Fund Award (2017-2018) e o conselho consultivo do espaço de arte Pivô, em São Paulo. Em 2017, foi contemplada com o Montblanc Arts Patronage Award, prêmio da fundação alemã destinado a profissionais com trajetória de destaque no apoio ao desenvolvimento das diversas expressões artísticas e culturais.

CURADORES CONVIDADOS

Gabriel Bogossian (Rio de Janeiro, 1983) é curador adjunto da Associação Cultural Videobrasil, além de editor e tradutor independente. Desde 2007, desenvolve pesquisa sobre a representação dos povos indígenas no Brasil, articulando a produção de imagens da arte contemporânea, do jornalismo e dos movimentos sociais. Como curador, realizou as exposições Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno (Galpão VB, São Paulo, 2017), O museu inexistente (Funarte, São Paulo, 2017), em parceria com o artista Victor Leguy, Amanhã vai ficar tudo bem (Galpão VB, São Paulo, 2016), individual de Akram Zaatari, Cruzeiro do Sul (Paço das Artes, São Paulo, 2015) e Transperformance 3: Corpo estranho (Oi Futuro, Rio de Janeiro, 2014). Colabora com as revistas Artelogie e BRAVO!, e foi responsável pelas traduções de Americanismo e Fordismo, de Antonio Gramsci (ed. Hedra, 2008), e Caos calmo, de Sandro Veronese (Ed. Rocco, 2007), entre outras.

Luisa Duarte (Rio de Janeiro, 1979) é crítica de arte, curadora independente e professora. Mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), é doutoranda em teoria da arte pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Foi crítica de arte do jornal O Globo, entre 2009 e 2017, e membro do Conselho Consultivo do MAM-SP (2009-2012). Integrou a equipe curatorial do programa Rumos Artes Visuais / Itaú Cultural (2005-2006) e coordenou o ciclo de conferências A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro – Memória e projeção (28ª Bienal de São Paulo, 2008). Organizadora, com Adriano Pedrosa, do livro ABC – Arte brasileira contemporânea (Cosac & Naify, 2014), foi também curadora da exposição Quarta-feira de cinzas (Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2015), organizadora, em conjunto com Pedro Duarte, do Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin (MAR – Museu de Arte do Rio de Janeiro, 2016) e curadora da exposição Tunga – O rigor da distração (MAR, 2018).

Miguel A. López (Lima, 1983) é escritor, pesquisador, codiretor e curador-chefe do TEOR/éTica, em San José, Costa Rica, e cofundador do Bisagra, espaço independente ativo desde 2014, em Lima. Seu trabalho investiga dinâmicas colaborativas e rearticulações feministas da arte e da cultura nas últimas décadas. Seus textos foram publicados em revistas como Afterall, ramona, E-flux Journal, Art in America, entre outras. Foi curador de exposições como Energías sociales / fuerzas vitales, Natalia Iguiñiz: arte, activismo, feminismo 1993-2018 (ICPNA, Lima, 2018); The Words of Others: León Ferrari and Rhetoric in Times of War (REDCAT, Los Angeles, e Perez Art Museum, Miami, 2017-2018) e da seção Deus é bicha, da 31ª Bienal de São Paulo (2014). Organizou o livro Robar la historia. Contrarrelatos y prácticas artísticas de oposición (Metales Pesados, 2017). Em 2016, recebeu o Independent Vision Curatorial Award da Independent Curators International (ICI, Nova York).

PRÊMIOS

Na 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, um júri composto por renomados profissionais dos circuitos artísticos do Sul irá atribuir sete prêmios. Com o intuito de estimular e fomentar a produção artística do Sul, esta edição conta com prêmios em dinheiro e residências artísticas.

Prêmio Estado da Arte

Um prêmio em dinheiro, no valor líquido de R$ 100.000,00 (cem mil reais), para a melhor participação.

Prêmios Sesc de Arte Contemporânea

Dois prêmios de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) serão atribuídos aos/às dois/duas Artistas brasileiros/as cujas obras mais se destaquem nesta edição. Uma obra de cada premiado/a passará a integrar o Acervo Sesc de Arte Brasileira.

Prêmios de Residência Artística

Três prêmios para jovens artistas, com apoio de produção para uma obra inédita, e passagem aérea, acomodação e per diem pagos. Jovem artista é aquele/a cuja primeira participação em exposições coletivas ou individuais tenha acontecido há não mais de dez anos. Os prêmios são oferecidos em parceria com o Programa de Residências Videobrasil e serão anunciados em breve.

Prêmio O.F.F.

Um prêmio em dinheiro, no valor líquido de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), oferecido pelo Ostrovsky Family Fund para um/a artista com investigação original sobre a imagem em movimento.

 

+ info http://site.videobrasil.org.br

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